sexta-feira, 3 de julho de 2009

Somersault

Ia escrever uma história à volta deste som... mas... ahhhhhhhhhhh deixo-vos o link (aí onde diz link mesmo) para a música e deixo-vos aqui a letra... Há poucas fusões tão perfeitas como esta... MF DOOM (aqui com o pseudónimo Viktor Vaughn) e Zero 7... o raio do Danger Mouse teve olho sim... perfeito...
E tão Verão meu Deus.... Tão Verão...

Somersault (Danger Mouse Remix) - Zero 7 feat. MF DOOM

"You put my feet back on the ground
Did you know you brought me around
You were sweet and you were sound...
You saved me

She wondered would it hurt again, a scary new setting
a Mary Lou Redding, perfect 10, was it worth it then
he woulda made the clicks switch way back
for a quick pitch in the haystack
with a bad bitch, like payback with interest
used to keep a nice cool trimless
flipped it for a highschool gymnast
she was thicker than the kick off supersonic
sicker than the bubonic, to Vik it was plutonic
wow...found a new playmate,
at this late stage he couldnt get the name straight
told her it was all up in your calf muscle,
showed her how to pull it off
brawl, laugh and tussle
at one point, she thought he was a lame cat
with game for the rats, a dog to claim the blame at
he told her maybe its your mama fault, for givin you the shaker
somey-somey-somersault

[Chorus - Sia Furler]

You put my feet back on the ground
Did you know you brought me around
You were sweet and you were sound
You saved me

Butterflies at the very mention
the flutter of her eyelashes helped to clear the tension
then went and tripped and fell head over heels
for V, and got dirtier than Red Rovers wheels
no matta how high stake the price,
this good luck charm on his arm, shake the dice
its gymnastics, practice makes nice
she's not the type to be enticed by fake ice
ahh, the stench of first love
the quench of the thirst made it worst, you need a burst of
upper-thrust motion, trust, devotion
lust is like the sand where the beach meet the ocean
soaking, felt joy in her whirlwind
never ever did he mention boyfriend/girlfriend
demanded her respect
then ran and did a handspring, almost landed on her neck

[Chorus - Sia Furler (Viktor Vaughn)]

You put my feet back on the ground
Did you know you brought me around (Somersault)
You were sweet and you were sound
You saved me (Somersault)
All
All
You give love to all"

Se alguém souber que álbum contém esta pérola avise por favor...

Se entretanto me sair algo de jeito eu posto... mas confesso que é intimidante :)

Respiremos fundo

Acho importante deixar aqui referido, que embora todos os texto que tenho escrito se inspirem obviamente em situações reais, de forma alguma são retratos de situações que tenham efectivamente acontecido, nem quero, de maneira nenhuma ferir susceptibilidades com os mesmos.

Tenham em atenção que não me baseei, até agora, em nenhuma pessoa em particular para inventar uma personagem, e que geralmente todos os figurinos que rondam os meus textos são mesclas de muita gente e de gente nenhuma.

Com isto, resta-me dizer que se TU (inserir a culpa de cada um) achas que AQUELE (inserir o texto que mais se adequa ao tu em questão) texto em particular TE é uma indirecta, tens bom remédio... perguntar... sendo assim, e dado que EU tenho por hábito falar com as pessoas e não mandar mensagens subliminares e recadinhos através de pedaços de textos que nem sei se determinada pessoa vai ler ou não, podes TU tirar da ideia que as tais linhas TE tenham sido dedicadas...



(Peço desculpa aos restantes pelo incómodo deste post, mas é já a 3ª vez que me dizem que fulano ou fulana acharam que este ou aquele excerto lhes era ou não dedicado... Se tal algum dia acontecer, eu escreverei no início do post "dedicado a..." ou contarei a história que deu início ao texto como fiz no post "story" em que indirectamente dediquei o texto a Kristina Rosenlind) Estamos entendidos?

Obrigado...

frontin'

Jogos


A fogueira ardia, no seu remoinho aéreo que captava a nossa atenção enquanto pisávamos a areia...


(Mãos dadas?Ou existe ainda demasiada distância entre nós para as dar?)


O teu ar de ser altivo e confiante já não me bate como antes... E, sinceramente, do alto dos poucos anos que tenho a mais sei que a chama inicial passou um pouco, mas chegámos até aqui certo? A pouca experiência que tenho a mais que tu, diz-me também que o facto de sermos tão diferentes nos pode afastar nesta sensação de nervoso miudinho de início de nada. Mas pode ser também o catalizador para a criação de algo decente e bom... Muito bom, e pouco monótono e que provavelmente merecia o espaço entre nós para acontecer.


Chegámo-nos mais, ao som da música do bar ao fundo tu começaste a

dançar... E eu sentei-me a observar o teu cabelo encaracolado e espesso a soltar-se no ar e a reflectir o brilho da Lua, e percebi que apesar de tudo tu estás apenas a pôr a pose necessária para veres se eu corro atrás ou não.


Tough luck boo... Eu também já joguei esse mesmo jogo, e não te dou o que queres se não retribuíres... O nome jagga por que tu me conheces acabou por ao longo dos anos se tornar um tributo ao Jigga (no que toca à personalidade i.e.)


(Deveria engolir o orgulho e levantar-me puxar-te a mão e dançar contigo?)


Efectivamente chego-me a ti, vejo o teu rosto iluminar-se num sorriso e digo-te ao ouvido "Vou buscar uma jeca ao bar, queres que te traga algo?" e logo vejo o teu sorriso diminuir de intensidade, dizes "Não, obrigado.". Viro-me e tu não vês o meu sorriso de gozo por te ter trocado os pés... Mas não foste tu que disseste que não gostas de planos?


Afasto-me e vou buscar a minha cerveja, volto e tu estás sentada a falar com alguém, aproximo-me estendo-te a mão...


"I know that I'm carrying on

Never mind if I'm showing off

I was just frontin'

(You know I want you babe)"


Levo-te até à beira mar, tiro o meu blusão e ponho-o nos teus ombros simulando um abraço ao qual te escapas por maldade, mas não reparas que vejo plantado nos teus lábios o mesmo exacto sorriso de gozo que antes fiz...


"I'm ready to beg it on

Unless you're gon' carry that on

'Coz you know I want you

(You should stop frontin' babe)"


Puxo-te para bem junto de mim enquanto vemos as ondas da preia mar rebentarem à nossa frente e a lembrarem-nos que já rebentavam bem antes de cá andarmos, que só temos uma vida, e que mais vale viver do que perder tempo com este joguinho de engate.

Conhecermo-nos melhor? Óbvio, só nos faz bem... Vivermo-nos um pouco mais?Também... Mas sermo-nos? Como te disse pequena, é tudo um estado de espírito e miúda... como diz o ti Jay:


"I'm too old to be frontin when I'm feeling Denzel

And you acting like you ain't appealing but you are

Stuting like you ain't my only girl but you are (I was just frontin')

I'm ready to stop when you are"


Pergunto-te: "estás pronta?" Aproximo a minha cabeça da tua e paro a dois centímetros dos teus lábios...


The ball's on your side babe...



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A ouvir:

"Frontin'"

The Neptunes (feat. Jay Z)

álbum: The Neptunes present... clones

vídeo


quarta-feira, 1 de julho de 2009

story...

Este merece uma introdução... Este texto existe há, sensivelmente, ano e meio, e foi fruto de uma noite que supostamente seria de estudo e que por falta de apontamentos acabou de ser uma noite de descoberta criativa, foi naquele momento, com a Kristina (uma das minhas melhores amigas desde essa noite, apesar da distância e da estranheza do idioma e das saudades e diferenças e semelhanças (que por vezes separam mais que as diferenças)) a olhar-me curiosa enquanto eu me atirava com uma fome imensa à torrente das palavras que jorravam pela caneta fora, que cheguei à conclusão que às tantas não me era de todo impossível escrever prosa.
Naquele Starbucks, perto de Karlsplatz na magnífica Viena de fim de Janeiro, às 22:37 da noite, fez-se um clique cá dentro, que me revelou que há lutos que não passam, que apenas se refastelam cá dentro e que me cabia a mim preencher o espaço em sua volta com novas memórias para que eles não fossem tudo o que tinha...
Quando acabei de escrever o texto, pousei a caneta e li-o em voz alta, traduzido para inglês, obviamente, à Kris cujos olhos se humedeceram e que se limitou a sorrir, sem mais um comentário, sem uma palavra, nada... passaram-se quase 2 horas, passaram duas linhas de metro, passaram os ruídos feios e estranho e frios do alemão pelos nossos ouvidos inúmeras vezes, até que ela me olhou nos olhos e dissesse "It's marvellous, I can't find another word. I don't know how you did it, but the way she feels, is the way I felt when he broke up with me... pure and simple."
Este foi o primeiro texto que eu escrevi em que senti directamente o impacto dele, às tantas porque pela primeira vez o mostrei e observei a reacção do leitor no exacto momento em que a obra se tornou arte, ou às tantas porque foi efectivamente a pequena porção do Grande Livro da Arte que me foi possível experienciar e retransmitir, e nunca mais lhe terei acesso... Não sei... Mas se um só texto meu, tiver o efeito que este teve na Kristina em algum de vocês, sentirei que valeu a pena toda a tentativa menor de lá chegar.


Após tão longa introdução, aqui segue o dito cujo:


"Os olhos dela cuspiam lágrimas ao ritmo dos batimentos da tarola, não porque a situação fosse particularmente triste... essencialmente porque a fez sentir-se menos ele. Só. Finalmente só, como se de um poema de António Nobre se tratasse.
Saiu para a rua, o vento frio pediu-lhe o casaco, mas ela não queria voltar àquele bar. Não mais. Nunca mais. Correu para o primeiro táxi que encontrou e atirou um qualquer endereço para o meio do silêncio. Não lhe importava o destino desde que fosse para longe dali.
O motorista tentou fazer conversa de ocasião, mas de tão embrenhada em pena própria recusou-se inconscientemente a ouvi-lo. Estúpido instinto mesquinho que não nos permite perdermo-nos nas pequenas coisas quando é isso precisamente que nos faz falta.
O carro imobilizou-se. Preparava-se para sair quando reparou que era apenas um sinal vermelho. Mudou de ideias: "Para a autoestrada." "Como?" "Para a autoestrada, leve-me para..." Outro sítio, outro mundo, as mesmas ideias na cabeça como num bloqueio mental. Uma espiral infinita e caleidoscópica que nos cativa no seu psicadelismo desesperado e caótico. Mentalmente drogada, a precisar da próxima dose de desespero. Porque raio nos sentimos tão bem a sentirmo-nos mal?
Surpreendido o taxista acedeu ao pedido sem mais perguntas. Anos a lidar futilmente com tanta gente ensinaram-no a classificar e dividir, e esta rapariga inseria-se com absoluta e fria certeza nos não questionáveis. Pessoas taciturnas e estranhas que não ouvem os seus próprios gritos de ajuda. Levou-a.
Ainda não ciente do que tinha acabado de fazer abriu a janela. O vento no seu rosto molhado fê-la sentir-se bem momentaneamente. Livre. Viva. Numa fracção de segundos decidiu que não iria sentir-se escura e triste. Aquele era um novo começo, a sua vida mudava naquele ponto e ela adaptar-se-ia a essa brilhante e necessária mudança. Ele não merecia a sua dor, era egoísta demais. Porque não haveria ela de o ser também? NÃO. Ela não era assim e sabia-o. Amanhã estaria de novo a chorar enquanto a imagem dele se cravaria ainda mais na sua mente.
"Mude o rádio" "Claro...Que quer ouvir?" "Jazz... quero jazz." "Certo. Dê-me dois segundos.". Os seus dedos escorregaram sobre o painel até ao rádio desligado. Puxou para o início do cd. À entrada do piano arrepiou-se quando a ouviu dizer "Sim, McCoy Tyner...deixe aí." 20 segundos passados e os divinos e roucos roncos apresentaram-lhe Coltrane.
Deixou-se perder na música. O desespero cantava em uníssono com o saxofone, e, neste momento era tudo o que ela precisava."

conforto

"She's cold blooded,

love how we're melting the Ice

She's like the sunshine of my life

All I see is an hot thing

you're my hot thing

and you're my hot thing

and you're my hot thing"


Mordes o lábio, eu rio-me, que reacção esperavas? Adoro quando te tentas fazer passar por mais adulta do que efectivamente és... Adoro o espírito que visto quando estou contigo, estando morto para te agarrar e te ser e te dar o que ambos queremos, e no entanto faço de conta que me é completamente indiferente se o fazemos ou não...

Tu sabes que não é... Eu sei que não é... Não é apenas isso que interessa? Mas é no mínimo engraçado que tantos meses depois ainda passemos por isto... É tão porreiro que ainda tenha de te comprar com um bom tinto e uma

caminhada pela praia... Adoro isto.


"Good love you're a sexy thing

And all I'm sayin' is you got something I like"


É extraordinário que consiga estar contigo sem me sentir a invadir o teu espaço, é impressionante que me ponhas à vontade o suficiente para que isto aconteça e haja intimidade e proximidade e que ambos estejamos tão confortáveis...


Ahhhhhhhhhh, a tua pele cheira bem... Passo os dedos pela tua figura (perfeita? para mim é, sem dúvida.) e amarro-te num beijo enquanto te inclino sobre a cama...

...

...

...

"Yo I love your contry ass

I love your city sass

I love how you normal ways

you catch on pretty fast..."

...

...

...

Suado, o teu corpo está ao meu lado, abandonaste-me pelo teu mundo de sonho com aquele sorriso cúmplice de quem acusa que o que viveu antes de dormir é tão bom como o que vive no sono.

É tão bom ficar a observar-te... Ver o vai vem dos lençóis sincronizados com a tua respiração calma, acariciar-te os cabelos encaracolados durante horas (será que sonhas comigo?), ver a forma delicada como o teu pescoço se integra no teu tronco, apetece-me beijar-to, mas prefiro não te acordar, sentir como me agarras apesar de estares a dormir, como se o eterno fosse esta noite, e esta noite pudesse existir para todo o sempre.


Os primeiros raios de Sol entram pela janela e acordam-me, e tu ainda cá estás, e isso faz-me sentir tão bem, espero que a luz te acorde também, e vejo como sorris quando me vês do teu lado...


"Good love you're a sexy thing

And all I'm sayin' is you got something I like


Glad that you like it

Glad that you like it

Glad that you like it"


Rodo por cima de ti, abro a porta e desço as escadas, preparo-te o pequeno almoço e volto a subir... O quarto cheira a sexo, tu expiras bem mais do que isso...


"Whatever happened to Shenice, baby I love your smile?

I might be falling in love, should I let her know?

A friend told me if I love her I should let her go"


Comes, sorris, ligo o Mac, ponho o iTunes a passar Talib, beijamo-nos e dizes-me que tens de ir andando.



Fico sozinho na minha cama para um, com um sorriso tão nosso por me lembrar que nem me disseste que preferias uma cama de casal...


"All I see is an hot thing

And you're my hot thing

And you're my hot thing"



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A ouvir:

"Hot Thing"

Talib Kwely

álbum: Eardrum

vídeo

segunda-feira, 29 de junho de 2009

writters block

O barulho da máquina de escrever era ensurdecedor, cada martelada de cada tecla no rolo era uma pequena explosão de felicidade no seu espírito... A criatividade parecia-lhe ter voltado, e isso deixava-o feliz pela primeira vez em anos... Os dedos já lhe doíam mas ele ignorava esse pequeno incómodo, em prol da magnífica descrição que estava a fazer:


"O pôr do Sol preenchia-se de tons rosados e alaranjados, que ofuscavam os olhos de quem para ele olhava directamente. A nascente, no entanto, a noite aproximava-se conquistando cada pedacinho de luz à sua passagem, as florestas na encosta respiravam à medida que a brisa do ocaso corria por elas convidando-as a juntarem-se para a festa de recepção à Lua..."


Parou por dois segundos, leu o que tinha escrito até então e ficou na dúvida se o que escrevia não soava excessivamente a

pretensão... Pontapeou-se mentalmente por se atrever a pensar sequer em não continuar a escrever, após um hiato tão grande, (de meses meu Deus, de meses) em que não tinha escrito uma única linha...


"MIGUEL!"

"SIM."

"TRAZ UM CAFÉ AO PAI!"

"SIM PAPÁ."


Atirou-se novamente ao texto, "uma personagem, tenho de criar uma personagem..."


"Os seus olhos azuis esverdeados eram espelhos da sua alma, esperançosa mas distante, com uma vontade imensa de construir um futuro melhor, mas com medo de que esse futuro reflectisse o seu passado como numa repetição eterna e dolorosa... Os caracóis longos caíam-lhe despenteados pelas costas abaixo seguindo a imagem de quem guardava as suas preocupações para algo bem maior que o aspecto exterior, de térérés grossos, de vestidos simples e bonitos de pretensão de alegria, apesar de toda a insegurança que a marcava..."


"O teu café pai..."

"Obrigado."


Olhou para o miúdo... Como ele o lembrava da mãe, a mesma paz atravessava todo o seu corpo de 8 anos terminando numa aura extraordinariamente grande de inocência... Sentia-o tão diferente de si, tão parecido com ela, e isso fazia-o sentir-se melhor. Mesmo na ausência dela tinha conseguido que ele fosse tão bonito como ela fora, e mesmo ele apesar de agora já não escrever tanto como antes, nem se achar tão bom artista como quando ela estava presente, sentia-se mais humano, mais simples, mais feliz.


"Queres ir dar uma volta com o pai?"

"P'ra onde?"

"Vamos passear o Rex à praia."

"Siiiim!!!"


Bebeu o café dum trago e olhou para as palavras que tanto tempo lhe tinham custado a sair... "As palavras voltam amanhã ou depois ou depois, o Miguel não..." pensou.


"Vamos Miguel"


E lá foram eles, em direcção à praia, onde o pôr do Sol se preenchia de tons rosados e alaranjados, que ofuscavam os olhos de quem para ele olhava directamente. Nas suas costas, a noite aproximava-se conquistando cada pedacinho de luz à sua passagem.





Se a arte não passar de uma tentativa de expressar a realidade, vista através dos olhos de quem a expressa, então o simples facto de existir interpretação de quem assiste à tentativa artística, gerará uma nova realidade, a do espectador, e a iniciativa do artista cairá por terra e será em vão.

A arte deverá fazer-se pela necessidade de permitir aos outros uma interpretação própria e uma reflexão, não por se querer impor a um outro a nossa visão do que somos ou vemos.


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A ouvir:

"Rhynestone Cowboy"

Madvillain

álbum: Madvillainy

vídeo


segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Presente não te tem tanto...

E de repente dou por mim a reouvir Velvet Underground... Mas desta vez, há algo de diferente... de explosivo, de redentor de... sei lá... sinto aquele cheirinho a liberdade, e a Verão, e a ser-me finalmente eu, e não mais o que fui contigo. Definitivamente eu, e embora haja carinho pelo que és e foste, e haja memórias e uma avaliação do que elas podem representar para mim, e, do quão diferentes elas serão para ti, o que interessa, é que de repente parei de me culpar.


Chega de me culpar por tudo o que ambos fizemos de errado, coisa que fazia apenas por te achar tão grande que não queria que tivesses de arcar com nada... Chega... Chega... Chega...

Chega de passado recente ou distante, chega de comparar o quanto nos magoámos e o quanto sofremos e tudo o mais... Tu não me deste espaço para resolver as coisas quando foi tempo disso, e, culpas-me a mim de me ter afastado e de te ter magoado por capricho e egoísmo... seja...


Tu criaste o teu novo mundo... Eu começo agora a criar o meu... A diferença e o que me põe um sorriso irónico na cara, é saber que o teu mundo novo terá muito mais do meu passado do que o meu terá de ti... Quando foste tu que me puseste fora dele... Não sorrio por ficar feliz por isso, muito gostaria eu de voltar a ter a esperança de ser um ser humano melhor, como tive quando os nossos mundos colidiram... Muito gostaria eu que tu me visses mais como o ser altruísta que de facto tentei ser, do que o monstro que erra em tudo como acabaste por passar a ver-me (e quiçá com mais razão do que eu queria admitir), numa perspectiva distante que criou caminhos de ti para fora de mim sem volta possível.


E tudo bem... como tu própria disseste as pessoas crescem e afastam-se... Não queria afastar-me de ti... Gostava de te ter por perto... como sempre te quis ter por perto, como a amiga que sempre pretendi que tu fosses, mesmo quando achavas que eu ambicionava mais... Falhei em transmitir essa mensagem, como tu falhaste em fazer-me sentir seguro no que sentias...


Mas voltei a ouvir Velvet Underground, e, de repente, há um brilho duma luzinha ainda muito ténue lá ao fundo. Que demorará, como é óbvio até me ganhar a confiança suficiente para me fazer sonhar... Mas há finalmente uma réstiazinha de esperança... E não há mais inutilidade, porque de repente, sou capaz de criar um sorriso sincero, e sou capaz de corar novamente quando os nossos olhos se cruzam, e sou capaz de pensar que às tantas ela não é tu... e que isso não me faz mossa nenhuma, que me alivia até... Porque talvez desta vez não terei de ser um gigante para a conquistar, porque talvez desta vez ser-me a mim lhe chegue...


E ao mesmo tempo, esta nova luz é apenas uma hipótese, que se não acontecer prova-me pelo menos que sou finalmente menos tu. E prova-me que sou novamente o meu eu azul, não mais essa coisa cinzenta dos últimos meses, construída sem vontade de nenhum de nós, mas com a ajuda dos dois. E prova-me que por muito que me custe, até me é possível pôr um sorriso sincero. E prova-me que consigo escrever sem nos ter (a mim e a ti) no meio de cada linha.


E de repente volto a ouvir Velvet Underground, já não pelo quão depressivo o som me parece, mas porque na heroin apesar de todos os fantasmas que revivem em mim ao ouvi-la, o violino monocórdico dá-me efectivamente esperança...


Esperança num tempo em que as pessoas eram mais o que eu tentei ser contigo, por me inspirares o suficiente para tal. Esperança num tempo em que as pessoas eram o que eu um dia serei por mim, e porque esse é o meu sonho, e porque serei forte o suficiente para o ser sem precisar de o ser por mais ninguém.


Agradeço-te por me teres tentado dar o que quer que me tenhas tentado dar e que eu não percebi ainda bem o que foi...


Agradeço-lhe a ela por me fazer ver que neste momento já consigo ser mais eu do que achava...


Agradeço-vos a ambas por me mostrarem que preciso de ser eu por mim, e não de ser algo diferente pelos outros.


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A ouvir:

"Heroin"

Velvet Underground

álbum: The Velvet Underground & Nico

vídeo (versão acústica ao vivo)