quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Jelena

Dedicated to Jelena (it's your birthday gift girl... hope you like it...)


She walked in at the first chords...

My eyes just went bezerk looking for her, and so were all the eyes of all the guys on this bloody room. I couldn't care less. I knew I had the skills, I knew I was different, I knew I had something else, or I thought I had something else... damn...

Just by watching her black long hair falling through her white back, distinguishing her from the blonde status quo of this Vienese club, I was feeling myself falling.

She smiled in my direction, her blue eyes fixed my green ones and that was it... Her enchantment was already working, as if she was this gipsy trained in the black arts of sexual attraction. "Damn jagga, damn man... you're lost" I knew I was hers for her to rip me appart at her will.

The guitar echoed in my mind like a strange distant dream. Reverb and overdrive, overdrive and reverb, I couldn't even think clearly, like if I had too many grass flowing on my mind (it wasn't the case).

She hadn't even said a word, and already I knew my world would never be the same after this night... "How? I thought, how the hell did she weakened you this easily? It's not like she even tried to...Damn man, you gotta put it together, come on, act normal, act normal, ACT NORMAL fuck fuck fuck fuck...".

"Hi jagga." she whispered in my ear teasing me.

"Hey J. wassup with ya?"

"You... I guess..." and took like two seconds to restart as if testing my reaction "You are happening now."

" You know I ain't up for your normal games."

"I know, I know, that's what makes you so playfull, I've to invent new games just for you."

"No, you misunderstood, I ain't up for games, no games, any."

"Oh.... We want to keep it simple do we?" She mocked me

"I'm tired of y'all... you complicate too much"

"And still you came tonight, knowing I'd make a toy out of you"

"Maybe I was just expecting you to be different from that."

"L-O-L... Come on jagga, who do you think you're convincing? We are both too adult to be joking around this... You're a smart guy, you know me, or if you don't know me at least you know my type, you couldn't be expecting me to be that different"

"Well... point taken...Still I'm not up for games... You're as excited about this as me, and if you think I'm just gonna behave like a dog without owner, you're kind of mistaken..."

"You men... Always thinking you are different, and yet, you always surprise us on how equal you are...Male conscience is really unique... unique and shared by all the million males on the Earth, taking you out of your comfort zone is like cutting your balls."

"Damn I told you I wasn't into this J.... I'm leaving."

"You'll come back... I know it" she laughed...


Two hours later, I'm still looking at my cell phone hoping she'd at least text me to meet her or something...

"Damn she really got you..." I laugh, and walk home, still hoping she'd call.

Truth is, in two days I'll get tired of waiting and I'll break the silence... she put me out of my comfort zone indeed...

Damn her gipsy spell... damn her blue eyes and straight long hair, and damn her petite perfect body which I just wanted to hugh as tight as possible altough she's "too cool" to let me do it just like that. Damn those beautifull narrow lips begging for mine. Damn the weakness she was devoting me to. Damn her games which I didn't want to, but had to play. Damn the curiosity. Damn her punkness which was driving me mad... Damn her, and damn me for knewing I was about to break...


She'd me figured out, and that added to the challenge. I just couldn't back out now.

"I'll get you J. I will, you just wait and watch..."



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A ouvir:


Steppenwolf


"Pusher"


álbum: Steppenwolf


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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

pós beatnick

Só mais um golo
só mais um,
só mais um para que finalmente
o fundo da garrafa me bata nos olhos.

Entre o ébrio e o divino
Ou ébrio e divino ao mesmo tempo.

Cada garrafa aberta
é só mais um passo
em direcção ao eu sozinho
que sou.

Divino sem dúvida
Divino e sem necessitar de mais nada.

If I feel good it makes it right Skin...
Enganaste-te nisso também...


domingo, 11 de outubro de 2009

rejeição

"Outra vez com essa cara moço?" perguntou...

"Parece que não me conheces outra, né?"

"Então que é que se passou desta vez?"

"Lembras-te da miúda dos caracóis?"

E exorcizou-a em palavras, como se o facto de a descrever o obrigasse a admitir o absurdo que era pensar em alguém de forma tão grande, tão pura, tão amável...

E contou tudo, desde o sorriso que ela lhe dera, como o sorriso que ele não lhe conseguira dar, o caminho do nervoso miudinho à paixoneta ao incómodo e ao inevitável nada. Mais uma que se interessara fazendo-o imaginar que as coisas poderiam melhorar e ficar boas, mais uma que perdera o interesse e se afastara mesmo que ele não a quisesse prender, ampla história da sua vida. Ampla história da vida de todos os que estão pré-destinados a nunca serem mais do que tentativa.

"E o mais surpreendente é que eu nem a queria assim tanto" acabou por confessar "mas a ideia de voltar a ter alguém sorriu-me tanto..."

"Deixa... outras aparecerão rapaz...aparecem sempre..."

"Pois, mas era mesmo dela que eu gostava... a rejeição tem sempre este efeito, amplifica sempre o nada que sentíamos ao ponto de parecer alguma coisa..."

"True son, so true..."

E a Lua de amarela passara a branca lá em cima e o mar acalmara o suficiente para um mergulho às 3 da manhã...



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A ouvir:


João Gilberto


"Insensatez"


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Condição

Condição



hipoteco-me nas palavras que não dizes,

génios perdidos com desejos meus,

Noutros, a outros,

Sorte a deles, nunca minha.


Caminho sobre passeios imaginários,

Molha-me a chuva da certeza,

nada, mesmo nada

disto é, nem foi, ou será.


É a vida quem arrasta a tristeza,

não eu...


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A ouvir:

Carlos Paredes

"Verdes Anos"

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sábado, 26 de setembro de 2009

Dia 2

Menos violento hoje... mais psicadélico hoje... temporalmente entre o beatnick e o punk, comportativamente (se é que tal coisa existe) aussi...
Continua a apetecer-me dar uma carga de porrada ao mundo e não tenho bem noção do porquê...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mood update

Não escrevi nada para aqui esta semana, deixei zakopane no prego e estou sem paciência... SEM PACIÊNCIA... ZERO NICLES NAAAAAAAAAAAADA...

Para entenderem mais ou menos em que estado de espírito estou:


É mais ou menos isto...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Viena, Janeiro próximo (?)

O convite ainda que pouco perceptível foi feito, digo eu... escrevo eu... enfim... mais uma interrupção para reescrever a saga de Zakopane (algumas incoerências no texto, fruto de bebida excessiva aliada à escrita, ando a reaproveitar ideias, depois largo-as por cá). No entretanto deixo-vos com este pedacito de um texto meu que mistura o meu passado com o meu sonho futuro... Espero que gostem ;)



Acordei com o chão do quarto repleto de cervejas, e senti-me encharcado, olhei para a janela aberta e sorri à neve que cobria os telhados e terraços do quarteirão inteiro, fechei-a e fui tomar banho.

Enquanto a água do chuveiro me caía em cima e aquecia tentava recuperar da ressaca horrível que ia sentindo, lembrei-me que tinha combinado contigo, abri a cortina e olhei para o telemóvel, estava já em cima da hora, escrevi à pressa uma mensagem a dizer-te que ia chegar atrasado e tratei de me despachar.

De volta ao quarto saquei da minha t-shirt castanha, e cheirei-a para ver se estava suficientemente limpa para a vestir, o teu perfume circulava nas suas fibras e nem pensei duas vezes. Vesti as calças enormes que já mal me serviam dada a quantidade de peso que perdia dia após dia (efeito da muita bebida e pouca comida certamente, mas para quê preocupar-me com isso?) e o casaco "contestatário" castanho escuro.

Saí do apartamento, chave no bolso direito, móvel no bolso esquerdo, leitor de mp3 ligado para uma qualquer música preenchida de bombos de bateria e de uma voz gigante.

Desci as escadas à pressa, algures entre dois andares um rosto amigo sorriu-me, disse "Olá, talk to ya later bro." e continuei a correr, abri a porta escorreguei pela neve fora até ao tram e senti as primeiras gotas a cair, subi as escadas e sentei-me e estranhamente estava já encharcado outra vez, sentia a água a escorrer-me pelo pescoço até às costas e olhei em redor. Uma multidão de rostos encharcados seguiam a sua viagem, sem sorrisos, sem palavras, perdidos nos seus próprios mundos interiores, tal e qual como eu, Wahringer Strasse nunca me parecera tão longa, pensei se me compensava apanhar o metro e decidi sair em Alserstrasse correndo até Floriangasse, tinha de passar pelo Tunnel ainda, para pedir à Juliane que entregasse o trompete ao Henri.

Subi os degraus e sacudi o cabelo, e entrei. O cheirinho a café quente e as cores quentes cumprimentaram-me com um sabor a casa.

"Grussgot Juliane!"

"Grussgot"

"Wie gehts?" tentei

"Gut gut, Are you ok? You're all wet... Is it rainning that much?" e eis o recurso ao inglês fazendo-me desistir de me armar em entendido desse alemão tão particular que é o vienense...

"Guess so, anyways, Henri is coming today at midday his trumpet is in the instrument room downstairs, can you give him my key so he can open it?"

"Sure jagga, don't worry... by the way how was the jam yesterday?"

"Good, quite good I'd say, heard anything about it?"

"Nope, well Mathias liked it, but you know him, he always likes your shows."

"Yeah, he's got quite a biased opinion" ri-me

"Yep, that's true, well gotta serve the costumers, Are you going anywhere now? Do you want to eat something? Looks like you could use a breakfast."

"I'll come later, don't worry, I'm going to meet a friend now"

"Ok, see ya then!"

"See you dear."

Voltei ao frio da rua e decidi fazer o resto do caminho a pé, estava atrasado e estava, e o desvio para o tram ainda era longo pelo que me podia fazer ganhar tempo, como poderia fazer perder tempo, o risco não me parecia compensar. À medida que me deslocava para o Ring a sensação de molha voltava, olhei para cima e vi-a:

Surpreendentemente baixa, talvez a uns 5 palmos da minha cabeça, uma nuvem minúscula e negra descarregava água em mim com toda a fúria possível. Olhei em volta para os edifícios que me rodeavam, pensei nas memórias todas que me traziam, ela e os seus olhos azuis que ainda impregnavam esta cidade tantos anos depois... O seu sorriso lindo, aberto, o seu cabelo pintado, aquele nariz empinado, o facto de que ela vivera aqui durante tanto tempo, e aos anos que já nem ouvia falar dela. Senti-me como me tinha sentido naquele mês de Setembro, sozinho, escuro, triste. Pensei no que poderíamos ter sido, e em má hora o fiz... Comecei a pensar no que poderia ter sido com tantas outras, e no que nunca tinha conseguido ser, e no quão inseguro era hoje por isso, perdido na Viena cinzenta que só faz sentido para quem já lá foi triste.

Pensei no quão inconcebível seria para ti provavelmente, tudo isto, no fundo, nunca viras Viena senão com um sorriso, e gostava de ti por isso, pelas memórias que não partilhavas comigo, pelo facto de sabendo tanto de mim não fugires. Está certo que não corrias para mim, era mais que notório, mas no entanto não me afastavas, mesmo sem nunca me teres prometido nada... E lembrei-me da Elis Regina e de Ossanha traidor e sorri à ironia com jeitinho malicioso.

A chuva continuava, e eu continuava circulando de pensamento em pensamento, sempre pensara que a única forma de escrever algo de jeito seria numa cidade assim, opressiva na sua imponência, desafiante na sua beleza, cinzenta e escura na sua alegria até. Desviei ao Miles Smiles onde cumprimentei o velhote de cabelo ondulado e grisalho.

"Hey there kiddo.."

"Good morning."

"What do you want today?"

"A beer, but just give me a can, I gotta run"

"Crazy latino" gozou-me

"Cranky austrian" retorqui

"True, true, always complaining me good ol' me, 'tough you are living the good life man" Num sotaque mais escocês que vienense, que sempre me fazia rir.

"Really think so? Haven't been seeing it much that way..."

"Girl problems?"

"Bah, that comes with being a man, naaah... more like life problems... kinda feel lost..."

"You always will The meaning of life is for the Gods to know and for the humans to break their heads trying to figure it out. Well now, I just noticed your little companion." e apontou para cima da minha cabeça

"Yep... 's been following me since I left home, don't really know why..."

"Feeling blue?"

"Nah just feeling the blues... not happy blues, not sad blues, just the blues"

"There ain't no such thing as apathic blues kiddo."

"Guess not... Anyways where's that freaking beer?"

"Here you go, no runnin' man, no runnin' coz I'm a cranky old guy, man."

"So was Coltranne and he was only 37 * "

"You learn fast I see" sorriu

"Well euro and half right?"

"It's on the house, just get rid of that cloud man.See you later?"

"Bah band practice, so probably around midnight."

"Ok, bring the drummer, I like joking with the guy."

"Yep, Simon's a good guy indeed. Auf Wiedersehen"

"Adiós"

"Adeus, not Adiós. portuguese not spanish."

"Spanish, portuguese, what's the difference? All latinos, and all preferred by austrian girls..."

"Who cares about austrian girls?" ri-me e saí enquanto as suas gargalhadas ecoavam porta fora.

Abri a lata enquanto andava, e despachei-me a bebê-la... dois goles, três goles, e quatro e cinco. Dois passos, virei-a sobre mim e bebi o resto dum trago, amassei a lata e atirei-a para o caixote à minha frente, saquei um cigarro do bolso e escondi-o dentro do casaco para não se encharcar, acendi-o e protegi-o debaixo da mão quase fechada... Enquanto passava pelas montras da Josefstadter observava a nuvem por cima de mim a ganhar força... Reparava também em como todos os que passavam por mim iam também eles encharcados. passei pela Rathaus e desci até ao Volksgarten, o jardim coberto de neve estava fantástico. Peguei no móvel e liguei-te disseste-me que estavas a chegar, olhei para a paragem de tram e vi-te lá ao longe, casaco de malha cinzento top amarelo, sorriso gigante, e uma alegria gigantesca emanava de ti. Acenei-te levantando uma cobra de água que correu do meu braço para o céu e caiu escassos centímetros no chão à minha frente marcando a neve. Fiquei parado à espera que te aproximasses e à medida que te aproximas reparo que a luz em ti é diferente, por alguma razão estás mais colorida que tudo o resto à tua volta, e então reparo que ao passares a neve derrete-se, as nuvens desaparecem, as pessoas começam a falar umas com as outras, sorriem, riem, as árvores reganham as folhas em questão de segundos.

Chegas-te a mim, dou-te um beijo demorado na cara, molhando-te, mas tu pareces não te importar minimamente... Agarras a minha mão direita, com a esquerda limpo a face das gotas que ainda escorrem, a minha nuvem passa diante dos meus olhos de cinzenta a branca, de branca a Sol, e o meu Sol junta-se ao teu num único gigante que começa a subir em direcção ao céu afastando neve, nuvens, humidade, frio, cinzento, tudo...

"Vamos ao MQ." dizes-me enquanto te encostas a mim para que eu te abrace com o meu braço direito.

E o Verão imita-nos e abraça Viena a meio de Janeiro.

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A ouvir:

Florence and the Machine

"Howl"

álbum: Lungs

link


*Aos 37 John Coltranne publicou "A Love Supreme" uma das obras mais influentes do seu quarteto clássico, era a minha private joke com o dono do Miles, (do qual percebi agora, nunca soube o nome) costumava gozar e dizer que ele se tinha atrasado 10 anos em relação à pop, e ele dizia "nah... jazz just keeps you from aging as fast on the outside, you just age inside... like good'ol wine"